Redação

As 5 competências da redação do ENEM, explicadas sem enrolação

Cada competência vale até 200 pontos. O que o corretor procura em cada uma, direto da cartilha oficial de 2026.

· 6 min de leitura

A redação do Enem é um texto dissertativo-argumentativo, escrito na modalidade formal, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política. Em outras palavras: você apresenta um ponto de vista, defende essa ideia com argumentos e propõe uma intervenção para o problema, respeitando os direitos humanos.

A nota vai de 0 a 1.000 pontos, divididos igualmente entre cinco competências. Cada uma vale até 200 pontos. Para entender o que está por trás da avaliação, vale consultar a Cartilha do Participante “A Redação do Enem 2026”, do Inep.

Competência I — Domínio da escrita formal

O que o corretor olha

O texto oficial pede que você demonstre “domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa”. Isso envolve a construção das frases e vários aspectos da escrita: ortografia, acentuação, hífen, uso de maiúsculas, concordância, regência, pontuação, crase, marcas de oralidade e escolha de palavras.

Também importa que as frases estejam completas e bem construídas. Períodos cortados ou emendados podem atrapalhar a compreensão e pesar na avaliação.

No nível 200, a cartilha descreve um “excelente domínio”. Desvios só são aceitos como excepcionalidade e quando não caracterizam reincidência. Ou seja: um erro isolado não é a mesma coisa que repetir o mesmo problema pelo texto.

Como chegar perto dos 200

Reserve um tempo para revisar depois de escrever. Procure primeiro frases incompletas ou longas demais; depois, confira concordância, pontuação e grafia. Se você percebe que costuma cometer um tipo de erro, faça uma busca específica por ele na revisão.

Também vale trocar palavras que parecem informais ou vagas por termos adequados ao sentido que você quer expressar. A ideia não é enfeitar o texto: é escrever com clareza e cuidado.

Competência II — Compreensão do tema e repertório

O que o corretor olha

A Competência II avalia se você compreendeu a proposta, se escreveu um texto dissertativo-argumentativo em prosa e se usou repertório sociocultural para desenvolver o tema. Repertório é o conhecimento que você mobiliza para sustentar a discussão, não uma informação colocada no texto só para parecer importante.

No nível 200, a cartilha espera “argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo”. A palavra produtivo importa: o repertório precisa ajudar você a explicar ou defender o ponto de vista.

A cartilha também alerta para dois problemas nessa competência. A nota de 40 pontos corresponde a “tangenciando o tema”, ou seja, o texto se aproxima da proposta, mas não aborda o tema de forma adequada. Já o nível de 80 pontos inclui a “cópia de trechos dos textos motivadores”.

Como chegar perto dos 200

Antes de escrever, identifique exatamente o tema e o recorte pedido. Pergunte a si: “Meu ponto de vista responde a essa proposta ou estou falando de um assunto apenas parecido?”. Depois, escolha argumentos e repertórios que ajudem a responder.

Use os textos motivadores como apoio para entender a proposta, não como trechos para copiar. Se incluir um repertório, explique a relação dele com a ideia que você está defendendo. Assim, ele contribui para a argumentação em vez de ficar solto.

Competência III — Organização dos argumentos

O que o corretor olha

Aqui, o corretor avalia como você seleciona, relaciona, organiza e interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos para defender um ponto de vista. A cartilha chama atenção para o projeto de texto: a escolha dos argumentos, a ligação entre as partes e a progressão das ideias.

No nível 200, as informações são “consistentes e organizadas, configurando autoria”. Isso significa que o texto apresenta um caminho argumentativo próprio e compreensível, em vez de apenas reunir ideias sem mostrar como se conectam.

Como chegar perto dos 200

Antes de redigir, defina sua posição e escolha os argumentos que vão sustentá-la. Pense também na ordem: que ideia precisa aparecer primeiro para a próxima fazer sentido? Essa preparação ajuda a evitar mudanças bruscas de assunto e argumentos repetidos.

Ao terminar, confira se cada parte cumpre uma função na defesa do seu ponto de vista. Se um parágrafo não acrescenta informação nem desenvolve uma ideia, vale revisar o papel dele no texto.

Competência IV — Coesão e ligação entre ideias

O que o corretor olha

A Competência IV avalia os mecanismos linguísticos usados para construir a argumentação. Em termos simples, trata de como você liga frases e parágrafos, com conectivos e retomadas que ajudam o leitor a acompanhar o raciocínio.

Para chegar ao nível 200, é preciso “articular bem as partes do texto e apresentar repertório diversificado de recursos coesivos”. Mas atenção: a cartilha avisa que coesão não é encher o texto de conectivos. Usar muitas palavras de ligação sem necessidade não garante uma boa articulação.

Como chegar perto dos 200

Escolha conectivos de acordo com a relação entre as ideias. Uma frase pode explicar, contrastar ou concluir algo que veio antes; a ligação precisa deixar essa relação clara. Também revise se pronomes e outras retomadas apontam para a informação certa.

Leia o texto procurando trechos em que a passagem de uma ideia para outra parece brusca. Às vezes, basta reorganizar a frase ou deixar mais explícita a ligação entre os argumentos. O objetivo é guiar o leitor, não apresentar uma coleção de conectivos.

Competência V — Proposta de intervenção

O que o corretor olha

A Competência V avalia a proposta de intervenção para o problema discutido. Ela precisa estar ligada ao tema e ao que você argumentou, além de ser concreta e detalhada. A cartilha considera elementos como ação, agente, modo ou meio, efeito ou finalidade e detalhamento.

No nível 200, a proposta é “muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão”. Portanto, não basta apresentar uma solução genérica no último parágrafo: ela precisa responder ao problema que o seu texto desenvolveu.

Há um aviso importante: uma proposta que desrespeita os direitos humanos zera apenas a Competência V. A redação inteira não recebe zero por esse motivo.

Como chegar perto dos 200

Confira se sua proposta deixa claro o que deve ser feito, quem pode agir e como a ação aconteceria. Explique também qual efeito ela busca e acrescente detalhes que ajudem a entender a execução. Depois, compare a proposta com os argumentos: ela enfrenta o problema que você discutiu ou parece ter aparecido de outro texto?

Fuga total ao tema e texto que não seja dissertativo-argumentativo são situações diferentes. Nesses casos, a redação inteira recebe zero e não é avaliada em nenhuma competência. A redação pode ter até 30 linhas.

Como a nota é calculada

Cada redação é corrigida por, no mínimo, duas pessoas formadas em Letras ou Linguística. Elas fazem a avaliação de forma independente. Cada corretor atribui de 0 a 200 pontos em cada competência, em níveis de 0, 40, 80, 120, 160 ou 200, e soma os resultados.

A nota final é a média das notas dos dois corretores. Se houver diferença superior a 100 pontos no total ou superior a 80 pontos em uma competência, entra um terceiro corretor. Nesse caso, a nota final é a média das duas notas mais próximas. Se a discordância continuar, a redação vai para uma banca de três corretores.

Para revisar com mais detalhe, leia também: Proposta de intervenção: os 5 elementos e O que zera a redação do Enem?.

Do jornal para o treino

Leu? Agora treina.

No enemjuntos você treina com questões oficiais separadas por assunto, vê o que precisa treinar e revisa cada assunto na hora certa.

Criar conta grátis →

Leia também