Proposta de intervenção: os 5 elementos que a cartilha do ENEM pede
Ação, agente, meio, finalidade e detalhamento. E a novidade de 2026: dizer que "falta investimento" não é propor nada.
O que a cartilha pede
Na Competência V, você precisa apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido na redação. A cartilha do participante do Enem 2026 explica que não basta indicar uma ação: você também deve apontar quem vai executá-la, como ela será realizada, que efeito pretende alcançar e incluir algum detalhamento. A fonte é a Cartilha do Participante “A Redação do Enem 2026”, nas páginas 35 a 38.
A própria cartilha associa uma pergunta a cada elemento:
| Elemento | Pergunta da cartilha |
|---|---|
| Ação | Que ação deve ser tomada para que a solução seja alcançada? |
| Agente | Quem deve executá-la? |
| Modo ou meio | Como viabilizar essa solução? |
| Efeito ou finalidade | Qual efeito ela pode alcançar? |
| Detalhamento | Que outra informação pode ser acrescentada para detalhar a proposta? |
Ação: o que deve ser feito?
A ação é o elemento essencial da proposta. É a medida que você sugere para enfrentar o problema, não apenas uma descrição do que está errado.
Exemplo ilustrativo: em um tema fictício sobre o acúmulo de resíduos em espaços comuns, a proposta poderia ser “organizar uma campanha de orientação sobre o descarte correto”. Essa é a ação: aquilo que você quer que seja feito.
Agente: quem vai fazer?
O agente é a pessoa, o grupo ou a instituição responsável por executar a ação. A cartilha lembra que essa escolha deve combinar com o âmbito da proposta, que pode ser individual, familiar, comunitário, social, político ou governamental.
Exemplo ilustrativo: no mesmo tema fictício, “a associação comunitária do bairro” poderia organizar a campanha. Assim, você não deixa a ação sem responsável — como se ela fosse aparecer pronta, por mágica, no meio da redação.
Modo ou meio: como fazer?
O modo ou meio explica de que forma a ação será colocada em prática. É a parte que mostra o caminho entre a ideia e a execução.
Exemplo ilustrativo: a associação poderia organizar a campanha “por meio de encontros comunitários e de materiais informativos”. A proposta fica mais clara porque você explica como a ação aconteceria.
Efeito ou finalidade: para quê?
O efeito ou finalidade indica o resultado que a intervenção pretende alcançar. Ele ajuda a mostrar qual é o objetivo da medida, em vez de deixar o leitor adivinhar.
Exemplo ilustrativo: a campanha poderia ter a finalidade de “estimular o descarte adequado e preservar os espaços comuns”. O efeito deve estar ligado ao problema discutido no texto.
Detalhamento: o que mais você pode explicar?
O detalhamento acrescenta uma informação que especifica algum ponto da proposta. Pode deixar mais clara a ação, o agente, o meio ou a finalidade.
Exemplo ilustrativo: você poderia indicar que os encontros comunitários seriam voltados aos moradores que utilizam os espaços comuns. Esse detalhe explica para quem a campanha seria direcionada. Os exemplos desta seção são ilustrativos e usam um tema fictício; não são propostas apresentadas pela cartilha.
Um exemplo comentado pela cartilha
A cartilha comenta uma redação com nota alta no Enem 2025, cujo tema era o envelhecimento. Na proposta apresentada, os elementos são:
- Agente: Governo Federal.
- Ação: implementar políticas públicas.
- Modo ou meio: por meio de programas e investimentos.
- Efeito ou finalidade: garantir proteção e valorização das pessoas idosas.
- Detalhamento: promoção do envelhecimento digno e saudável.
Repare como as partes se conectam: quem age, o que faz, por qual meio e com qual objetivo. O detalhamento ainda especifica a ideia de envelhecimento valorizado.
Constatar não é propor
A cartilha de 2026 traz uma distinção que não aparecia na edição de 2025: propor uma intervenção não é o mesmo que constatar um problema. Por exemplo, “Faltam investimentos em x” aponta uma situação, mas não diz qual ação deve ser tomada para enfrentá-la.
Também não basta escrever uma frase condicional, como “se x for feito, o resultado poderá ser y”. Uma construção desse tipo não garante, por si só, que você apresentou uma proposta. Para isso, precisa ficar claro o que será feito e quem deve fazer — além dos outros elementos que completam a intervenção.
Como a proposta é avaliada
A Competência V considera o grau de elaboração e detalhamento da proposta. A cartilha descreve os níveis assim:
- 200 pontos: proposta “muito bem” elaborada e detalhada.
- 160 pontos: proposta “bem” elaborada.
- 120 pontos: proposta elaborada “de forma mediana”.
- 80 pontos: proposta elaborada “de forma insuficiente” ou não articulada à discussão.
- 40 pontos: proposta “vaga, precária ou relacionada apenas ao assunto”.
- 0 ponto: sem proposta, ou com proposta sem relação com o tema nem com o assunto.
Um cuidado: a cartilha não diz que cada elemento vale uma quantidade fixa de pontos. A ideia de que “cada elemento vale 40” circula em cursinhos, mas não está no texto oficial. Então, não trate essa conta como regra da avaliação.
A proposta também não pode ferir os direitos humanos: se isso acontecer, você zera a Competência V. A cartilha cita como exemplos que sempre ferem esses direitos a defesa de tortura, mutilação, execução sumária, “justiça com as próprias mãos”, incitação à violência por raça, etnia, gênero, credo ou opinião política e discurso de ódio.
Checklist antes de passar a limpo
Confira sua proposta com estas cinco perguntas:
- Ação: que medida concreta você propõe?
- Agente: quem será responsável por executá-la?
- Modo ou meio: como essa medida será colocada em prática?
- Efeito ou finalidade: que resultado ela pretende alcançar?
- Detalhamento: que informação pode deixar a proposta mais específica?
Depois, confira também se a intervenção está ligada ao problema discutido e se respeita os direitos humanos. Se você consegue responder às cinco perguntas sem deixar a proposta vaga, já tem um bom caminho para revisar antes de passar a limpo.
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