Questão 51 do ENEM 2025 comentada
Interpretação de canção sobre relações cotidianas e patrimônio cultural no Brasil.
Sinal fechado
Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios...
Oh, não tem de que
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo,
Talvez nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso beber
Alguma coisa rapidamente
Pra semana...
O sinal...
Eu procuro você...
Vai abrir! Vai abrir!
Prometo, não esqueço
Por favor, não esqueça
Não esqueço, não esqueço
Adeus...
PAULINHO DA VIOLA. Foi um rio que passou em minha vida. Rio de Janeiro: Odeon, 1970.
A letra da canção apresenta a permanência de uma situação da vida cotidiana ao destacar a
- Adiminuição do comportamento competitivo.
- Bimportância da memória coletiva.
- Credução da mobilidade urbana.
- Defemeridade dos vínculos de afetividade.
- Eobsolescência dos meios de comunicação.
Tente resolver antes de abrir. Errar aqui é de graça.
Ver a resposta e a resolução
O que a questão cobra
A questão exige que você interprete a letra e identifique a situação cotidiana que ela retrata. Também pede atenção às atitudes e falas dos interlocutores.
Resolução
A conversa acontece num encontro rápido, interrompido pelo ritmo acelerado da cidade. Os interlocutores demonstram interesse em se ver e em continuar o contato, mas estão com pressa e não conseguem desenvolver o diálogo.
Me perdoe a pressa / É a alma dos nossos negócios...
A letra reforça essa distância entre a intenção e a ação: eles prometem telefonar ou se encontrar, mas a conversa termina quando o sinal abre. A pressa e a falta de tempo fazem com que o contato fique limitado a palavras breves e promessas sem continuidade.
Assim, a canção destaca uma situação cotidiana em que os vínculos de afetividade são passageiros e frágeis. Não é a comunicação em si que se torna ultrapassada, nem há indicação de que as pessoas deixaram de se deslocar. O centro da cena é a dificuldade de manter relações próximas em meio à correria.
Alternativa por alternativa
- A
A letra não mostra diminuição da competição. A fala sobre buscar um lugar no futuro e a pressa dos negócios apontam para uma rotina acelerada, não para menos competitividade.
- B
A memória coletiva não é o foco. A letra apresenta duas pessoas que tentam lembrar o que queriam dizer, mas uma delas afirma que a lembrança lhe escapa.
- C
A mobilidade urbana não aparece em redução. A pressa, a poeira das ruas e o sinal de trânsito compõem uma cena de deslocamento pela cidade.
- D
Correta. A letra mostra vínculos de afetividade efêmeros: os interlocutores prometem se falar e se encontrar, mas a pressa encerra o contato antes que isso aconteça.
- E
A menção ao telefone não indica que esse meio de comunicação esteja obsoleto. A letra destaca a falta de tempo e a dificuldade de dar continuidade à relação.
Para lembrarQuando uma letra mostra contatos breves e promessas sem continuidade, ela pode retratar a fragilidade dos vínculos de afetividade.
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