Questão 39 do ENEM 2013 comentada
Entenda como uma charge relaciona o desenvolvimentismo de JK às desigualdades sociais.
Meta de Faminto JK — Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro, com gazolina brasileira. Que mais quer? JECA — Um prato de feijão brasileiro, seu doutô! THÉO. In: LEMOS, R. (Org.). Uma história do Brasil através da caricatura (1840-2001). Rio de Janeiro: Bom Texto; Letras & Expressões, 2001.

A charge ironiza a política desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, ao
- AEvidenciar que o incremento da malha viária diminuiu as desigualdades regionais do país.
- BDestacar que a modernização das indústrias dinamizou a produção de alimentos para o mercado interno.
- CEnfatizar que o crescimento econômico implicou aumento das contradições socioespaciais.
- DRessaltar que o investimento no setor de bens duráveis incrementou os salários de trabalhadores.
- EMostrar que a ocupação de regiões interioranas abriu frentes de trabalho para a população local.
Tente resolver antes de abrir. Errar aqui é de graça.
Ver a resposta e a resolução
O que a questão cobra
A questão exige interpretar uma charge sobre o governo JK e relacionar a industrialização e o crescimento econômico às condições de vida da população.
Resolução
A charge contrapõe as realizações materiais do desenvolvimentismo — automóvel, estradas pavimentadas e combustível — à necessidade básica de alimentação. A resposta do personagem mostra que esses avanços não beneficiavam todos da mesma forma.
Um prato de feijão brasileiro, seu doutô!
Na figura, o contraste entre o discurso de progresso e o pedido por comida é o que resolve a questão: a modernização econômica aparece ao lado da permanência da pobreza. Assim, a charge critica um crescimento que não eliminou as desigualdades e tornou visíveis as diferenças nas condições de vida e no acesso aos benefícios do desenvolvimento.
Por isso, a ironia aponta para o aumento das contradições socioespaciais. Não se trata de afirmar que as obras viárias reduziram as desigualdades nem de mostrar aumento de salários ou da produção de alimentos. O foco é a distância entre o progresso anunciado e a realidade social representada.
Alternativa por alternativa
- A
A charge não mostra redução das desigualdades regionais; contrapõe as obras e os bens modernos à falta de comida.
- B
O diálogo não menciona aumento da produção de alimentos; o personagem pede um prato de feijão.
- C
Correta. A charge expõe o contraste entre o crescimento econômico e a pobreza, evidenciando contradições sociais e espaciais.
- D
A imagem não relaciona a indústria de bens duráveis a salários maiores; mostra a permanência da carência alimentar.
- E
A charge não trata da ocupação do interior nem da criação de empregos; seu foco é o contraste entre progresso e pobreza.
Para lembrarO crescimento econômico pode modernizar a infraestrutura sem distribuir seus benefícios de forma igualitária.
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