Questão 76 do ENEM 2017 comentada
Entenda como a preservação de práticas e identidades africanas podia expressar resistência à escravidão.
Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa da Mina (Nagô de Nação), de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a neve, era muito altiva, geniosa, insofrida. Dava-se ao comércio — era quitandeira, muito laboriosa e, mais de uma vez, na Bahia, foi presa como suspeita de envolver-se em planos de insurreição de escravos, que não tiveram efeito.
AZEVEDO, E. “Lá vai verso!”: Luiz Gama e as primeiras trovas burlescas de Getulino. In: CHALHOUB, S.; PEREIRA, L. A. M. A história contada: capítulos de história social da literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998 (adaptado).
Nesse trecho de suas memórias, Luiz Gama ressalta a importância dos(as)
- ALaços de solidariedade familiar.
- BEstratégias de resistência cultural.
- CMecanismos de hierarquização tribal.
- DInstrumentos de dominação religiosa.
- ELimites da concessão de alforria.
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Ver a resposta e a resolução
O que a questão cobra
A questão exige que você reconheça formas de resistência de africanos escravizados e seus descendentes. O foco está na preservação de referências culturais e religiosas.
Resolução
O trecho descreve Luiza Mahin como africana da Costa da Mina, pertencente à nação Nagô, e destaca sua recusa ao batismo e à doutrina cristã. Manter referências de origem e crenças próprias, em vez de aceitar a conversão, expressava resistência à imposição cultural e religiosa da sociedade escravista.
pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã.
A passagem também informa que Luiza era quitandeira e foi presa sob suspeita de envolvimento em planos de insurreição. Esses elementos mostram que a resistência podia assumir formas diversas. Para responder à questão, porém, o destaque à identidade africana e à recusa da doutrina cristã sustenta a alternativa B: estratégias de resistência cultural.
Alternativa por alternativa
- A
O trecho fala da mãe de Luiz Gama, mas não descreve laços de solidariedade ou apoio entre familiares.
- B
Correta. A descrição ressalta a origem Nagô e a recusa ao batismo e à doutrina cristã, sinais de resistência à imposição cultural e religiosa.
- C
Não há referência a hierarquias tribais; o texto informa a origem africana de Luiza, sem tratar de relações de poder entre grupos.
- D
A passagem não destaca instrumentos de dominação religiosa. Ao contrário, informa que Luiza recusava o batismo e a doutrina cristã.
- E
O texto não trata de concessões de alforria nem de seus limites; menciona a origem de Luiza e sua atuação na Bahia.
Para lembrarPreservar a identidade, as crenças e as práticas de origem pode ser uma forma de resistência cultural.
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